Mitologia diaria do tio carlos

quinta-feira, 4 de agosto de 2011 1 comentários
Amanha é o ultimo dia pra voce mandar seu deus, eu sugiro que voce mande logo pq eu vou anunciar o vencedor amanha, tipo umas 11 horas da manha e é isso mande logo o email.




Sandalias de Jasão parte II

Mas aquilo parecia não ser apenas uma impressão. Jasão agora sentia que as mãos dela passavam sobre sua nuca, subindo até o topo da sua cabeleira negra e esvoaçante. Sem poder se conter mais, virou seu rosto para a face da velha, algo escandalizado.
— O que foi, meu rapaz? — disse a anciã, com um sorriso que parecia lhe trazer de novo toda a juventude ao rosto. — Nada, nada, minha senhora... — replicou Jasão, vexado de sua má impressão. No entanto, ao desviar os olhos não pôde deixar de passá-los de relance pelo busto da idosa mulher, que se exibia livremente pelo decote da esfarrapada túnica. Pela abertura, entreviu perfeitamente um dos seios, absurdamente firme e rijo, como o de uma mulher na mais verdejante juventude.
"Estou delirando!", pensou Jasão, atarantado. Por um momento teve o instinto de largar a velha no rio e deixá-la ali, sozinha, a debater-se nas águas. "E se for uma feiticeira?" Sua reflexão foi bruscamente interrompida quando sentiu que a mão da velha — tinha a absoluta certeza — pressionava as suas costas de um modo absolutamente inconveniente e constrangedor.
— O que é isto, minha senhora? — exclamou, surpreso.
Uma gargalhada sonora, jovial e cristalina, ressoou em seus ouvidos. Assustado, Jasão voltou-se outra vez para a velha. Mas não tinha mais diante de si a face enrugada de uma anciã, mas uma face divinamente jovem, que tinha, no esforço do riso, os olhos franzidos sem o menor vestígio de rugas. Seus dentes, claros e cristalinos, brilhavam sob a luz do sol, enquanto os lábios mostravam-se carnudos e rubros como os de uma jovem no auge da beleza.
— Não se assuste! — disse a encantadora mulher, ainda em seus braços. -Foi apenas uma brincadeira.
Jasão, ainda encabulado — e um pouco amuado por ter sido feito de bobo -, tinha agora em suas mãos duas coxas firmes e palpitantes.
— Eu sou Hera, a rainha dos céus — disse a mulher-, e estava apenas testando o seu caráter.
A ciumenta e virtuosa esposa de Zeus, como se vê, cansara de sofrer as traições de seu volúvel marido e fora se divertir um pouquinho também. O que a deusa perdeu em virtude ganhou em charme e encanto. Nunca seu riso foi tão espontâneo, e seus gestos, tão livres e doces. Em vez de queixas e recriminações, da sua boca saíram, agora, somente uma risada franca e algumas palavras inocentemente maliciosas.
— Porque me ajudou a cruzar este rio, decidi tomá-lo sob minha proteção -disse Hera ao surpreso Jasão, fazendo-se de séria. — Já sei que você é um homem de caráter e fidalguia.
A seguir, retomando seu bom humor, pôs-se de pé, deixando nas mãos do herói os farrapos de sua velha túnica. Lado a lado com o herói, permitiu-se a liberdade de continuar abraçada, mas seguindo com as próprias pernas.
Juno parecia ter melhorado ainda mais o seu humor; enquanto torcia os fios de seus cabelos molhados, cantava uma canção descontraída, muito diferente dos aborrecidos hinos que era obrigada a escutar todos os dias em seu templo. Jasão, que completara a sua educação nas águas daquele maravilhoso rio, também estava alegre. Encontrava-se muito distraído, tanto que acabou esquecendo uma de suas sandálias na margem do rio, seguindo o restante do percurso até sua casa com um dos pés descalços.

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