DEIXE QUE AS CHAMAS COMEÇEM

domingo, 2 de outubro de 2011 0 comentários



Era nosso último ano no ECOS, fazia um certo tempo que estudávamos ali, e esse seria o último ano. Estava triste por ter que sair dali, mas por outro lado, estudar em uma faculdade no Canadá era uma ótima idéia, já não eram esses os planos de Thais e Kaio que não tinham em mente sair da cidade, Kaio não tinha um plano para o futuro, se posso dizer assim. Thais queria muito abrir uma loja de discos, livros algo do tipo. Ela nunca falará sobre o assunto, não sei bem, ela sempre deixou esse sonho no escuro.
Chegamos à escola, e junto a placa com o grande logo da escola, estava outra placa anunciando o baile de formatura que acontecerá no fim do ano. Só o fato de ter o nome baile, me dava desistência de todo o ano letivo, não curto esse negócio de festa, mas não tinha que pensar nisso agora ainda faltavam meses para eu começar a não querer pensar nele. Thais e Kaio eram da mesma sala, eu era de outra, então dali eu só os via no final das aulas. Diferentemente deles que tinham a companhia um do outro, eu era só na minha turma, não só porque era sozinho na sala, pelo contrario, minha turma era a maior da escola, mas não tinha contato com ninguém. Estudava com o Luis, aquele que não tenho muitas lembranças boas e não ia ter que se lembrar dele, já que eram as últimas provas do ano. Nesse dia a sala estava excepcionalmente lotada, era a última prova do semestre, e todos queriam não ter conviver uns com outros, eu vejo isso.
Enquanto as provas não chegavam, eu lia um exemplar de A Ordem da Fênix. Vi o Luis chegar à sala, sempre simpático, com seus olhos azuis um sorriso mais que sarcástico, ele era forte e tinha seus cabelos da cor dourada, vestia uma jaqueta da escola. Com uma camisa preta por baixo, -sempre era preta- e all star. Chegou atrasado, e com cara de quem ia aprontar a qualquer momento. Ele passou por mim e provocou.
- Pronto para ver provas indo água a baixo? Não respondi. Mas agora tinha certeza que ele preparava algo.
Finalmente, as provas chegaram, não sou do tipo “O Melhor”, mas tinha certeza que ia me sair bem na prova. Isso bastava. Passará uma hora depois do inicio da prova, e eu já havia terminado, fui uns dos primeiros a sair da sala, onde mentes ferviam tentando achar um meio de sair fácil de um lugar onde é preciso exercer esforço mental. Andei pelo corredor grande e vazio, andei como se estivesse caminhando para um penhasco, sentia que seria a última vez que poderia ver aquele lugar, passei por um armário de número 444 que sempre me chamava atenção, nãos por quatro ser um número de sorte para mim, mas porque também era o que aparentava ser mais velhos de todos os outros. Procurei uma sombra no imenso campo que tinha ao final do corredor, era um belo lugar, não por estar longe de todos, mas por todas as árvores que tinha ali, era um dos meus lugares preferidos, vazio, escondido, tranqüilo. Sentei num banco branco, único em todo o campo, debaixo da maior árvore. Tentei relaxar quando meus pesadelos invadiram meus pensamentos, todos eles, de uma só vez, não resistir e tentei decifrá-los, mas não cheguei a conclusão nenhuma. Foi quando ouvi um grito, forte e agudo explodir em meus ouvidos, tão forte quase fazendo desmaiar, seguido do mais estranho silêncio. Olhei nos lados e não vi nada nem ninguém. Fiquei atordoado.
Não havia se passado o tempo do termino da prova e pessoas já saiam de dentro da sala, vi o Luis saindo apresado, que me levou a segui-lo, e sem que ele percebesse fui atrás dele. Ele pegou um atalho pelos os pilares do lado direito de um pátio que ficava em frente ao campo, de inicio pensei que ele ia á biblioteca, mas ele cortou caminho, entrando pela sala de condimentos da cantina, eu não sabia, mas daquela sala tinha uma porta que levava a sala de controles de gás. Juntei as peças, e agora sabia o que ele pretendia. Ele foi direto para um painel de botões e desligou apenas um dos alarmes e depois saiu correndo, me escondi detrás da caixa de energia, sem ele perceber, voltei e releguei o alarme que tinha sido desligado, voltei a segui-lo, ele fez o caminho reverso e dessa vez foi para a biblioteca, não entendi mais o que ele queria fazer, ele passou pela porta e a fechou, corri e abri-a. Ele estava em cima de uma das mesas com um isqueiro na mão pondo em direção ao alarme de incêndio, ele queria molhar todos, e todas as provas.
- NÃO. -gritei
Corri em sua direção e o derrubei-o da mesa no chão, ele gritou muito alto, uma voz de dor tomava conta da enorme biblioteca que estava vazia, mesmo assim, ainda conseguiu me acerta com um golpe em meu rosto, eu o empurrei, ele tentou dar outro golpe, mas não conseguiu, e rapidamente ficou de pé, enquanto me esforçava para me levantar ele ligou o acendedor, pegou um livro qualquer e tocou fogo nele.
- Olha o que faço com isso! O que faz aqui? Não vai conseguir salvar esse aqui. E deixou cair o livro em chamas no chão.
De repente uma grande chama forma-se em toda a biblioteca e vai se espalhando sobre todas as estantes, queimando todos os livros, começo a ouvir o mesmo grito novamente, dessa vez ainda mais forte, tão insuportável quanto 30 buzinas de caminhões juntas, Luis pareceu não escutar, e se assustou com fogo.
- Vê o que você fez? E saiu correndo até a porta que se fecha depois que ele passa por ela
O grito parecia não ter fim, deixando-me completamente atordoado, e o fogo aumentando cada vez mais. Começo a ver vultos, sombras entre as prateleiras de livros em chamas, várias delas em toda biblioteca, ao longe ouço a porta se abrir e vejo a Thais com algumas pessoas atrás que não consegui ver com minha vista morta, ela tenta se aproximar, já não agüentava com tanta dor em meus ouvidos, tudo vai ficando escuro demais. Desmaio.
Conspiracies Of a Lost Ghost

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